INTRODUÇÃO

   É grandioso e interessante dar uma pequena síntese da história das artes marciais Tibetanas que hoje em dia são tão difíceis de encontrar pela pouca informação que os ancestrais Tibetanos deixaram sobre os segredos e mistérios que guardavam, muitos após que o sistema chegasse à China, por ser um estilo estrangeiro utilizado por oficiais da corte imperial Manchu. Fez-se uma arte marcial muito seletiva e desenvolvida por poucos, variando assim as diferentes versões de cada lenda, exercício e princípios, criando assim, atualmente, controvérsias. Inclusive sabe-se de alguns chamados “mestres”, que se dizem possuir o conhecimento ou os graus que o qualificam como representante da linhagem original, mantendo alguns de seus alunos no mistério da pouca informação, justificando-a com a complexidade do estilo, os segredos que este possui e o custo do mesmo. Há outros motivos já definidos quando encontramos de uma mesma origem outras linhagens, como são os estilos Hop Gar Khyun e o Lama Pai, que dão seu toque pessoal à teoria e a prática de seu grupo, escola, associação, entre outros.
   Com este texto o Sifu Argimiro Nuñez (Arun) e o Professor Severino da Silva Barbosa esperam contribuir um pouco mais para esclarecer a história de nossa tradição marcial Tibetana e inspirar a outros que a pesquisem, corrijam e melhorem a informação para as futuras gerações.

HISTÓRIA

Palácio de Potala   Em meados de 1400, pelo Oeste da China na Cidade de Yuk Psi do estado de Ching Hoi (Qinghai), fronteira com o Tibet e China, iniciou-se a longa e ascendente história do estilo do Grou Branco Tibetano. Nesta cidade habitava um jovem muito esperto e de inteligência pouco comum, chamado em Tibetano de Or Dar Dor e conhecido por muitos como Ah Tah Toh ou Adato. Como era costume nesta época, Ah Tah Toh foi ensinado com os conhecimentos de defesa pessoal de sua família, que incluía luta mongol, chamada de Shuaijiao, que não eram nada mais que conhecimentos comuns, que todas as pessoas deveriam possuir para poder se defender na agitada época na qual atravessavam.
Buda  Ah Tah Toh foi incentivado a ingressar no monastério Tibetano de Lu Yim ou Templo das Mil Pétalas de Ouro, onde se ensinava o budismo Vajrayana, da escola Kagyu, no qual Ah Tah Toh tornou-se membro dos Dub-Dub ou monges guerreiros, protetores dos Dalai Lamas, Panchen Lamas, monastérios, bibliotecas e tesouros. Com os Dub-Dub, Ah Tah Toh aperfeiçoou a  montaria, tiros de arco e fecha, luta mongol (Shuaijiao), Nom Nye ou arte de luta Tibetana e Kalaripayattu, a arte de guerra hindu. Aos quinze anos de idade tornou-se Lama; nos monastérios o ensino de Lamas era encarregado aos chamados Monges-mestres, estes Monges-mestres escolhiam um discípulo para transmitir todo seu conhecimento, ao fazer-se a seleção, uma grande cerimônia oficial era realizada no qual o aluno-filho era aceito pelo Mestre em questão.
  Ah Tah Toh ficou sobre a tutela de um famoso Monge-mestre chamado Lama Kon-Kit (Drollo Dorje), mão direita do 5º Dalai Lama (Ngawang Lobsang Gyatso) Chefe Espiritual que dirigia o Templo de Potala em Lhasa - Tibet. Graças ao Lama Kon-Kit, Ah Tah Toh aprendeu o estilo de defesa externa interna do Tibet e suas origens da arte hindu Kalari Pyatt - Sinhanada Vjramurti (Punho Raio do Diamante), somado aos conhecimentos espirituais de todo monge Lama. Mais tarde o seu KARMA levou-o a conhecer um idoso Lama, ainda mais avançado na Arte Marcial Tibetana, chamado Lama Tap Lai, que lhe ensinou o Dim Mak (Toque da Morte). Seus conhecimentos adquiriram grande amplitude, o que lhe permitiu desenvolver suas habilidades com mais velocidade e progredir no estilo Tibetano e o caminho do Tantra Budista.
  A vida em um monastério consistia em sua maior parte no estudo do DHARMA, cumprimento dos rituais, recitações de MANTRAS, meditação SADHANA e a concentração YIDAMS, entre outros. Ah Tah Toh que gostava da solidão e da tranqüilidade, costumava se internar nas montanhas por períodos longos para praticar a meditação sem que ninguém o perturbasse. Nessas montanhas, terras ainda inexploradas, habitavam muitos tipos de animais, no qual Ah Tah Toh teve a oportunidade de testemunhar, em muitas oportunidades, os mortais combates que eles travavam. Um dia enquanto meditava, observou na Macacoredondeza do lugar onde se encontrava um enorme Grou Branco imobilizado e um enorme macaco antropóide pronto para capturar o grou, este, sem mostrar medo, deslocou-se suavemente para o lado evitando a agressão, o macaco fazendo questão de seu ataque, tentou segurá-lo pelo pescoço, o grou levantou-se sobre suas grandes patas e o ameaçou com o bico, o macaco evitando o bico deu a volta por trás do grou para atacá-lo, mas o grou se deslocou apresentando-lhe o bico e as asas, o grande macaco enfurecido começou a atacar o grou com saltos rápidos de um lado para outro, mas o grou era também muito rápido não se deixando prender com sigilosos deslocamentos; a briga continuou assim por um longo tempo, até que o macaco Garça Brancadescontrolado lançou-se com um grande impulso sobre a ave, esta se deslocou atacando-o e o ferindo no olho, o macaco sem suportar a dor fugiu rapidamente do lugar. Ah Tah Toh ficou impressionado pelo fato e entrou em transe ou estado místico sentindo como o HUNG rugia por seu interior como um Leão, sentindo a presença de energia e o estado de iluminação. Ah Tah Toh impregnado com o fato e com a inspiração do Sutra da Lótus, o símbolo do Leão que representava o Clã Sakya, o esoterismo Indo-Tibetano, a influência do grou de pescoço preto e crista vermelha (Saurus da Índia, a ave mais alta existente “Kalrai Pyattu”), o branco do grou que representa a pureza da iluminação, o rei macaco Indu Haruman como Vajramurti (arte marcial praticada pelo Katryas ou guerreiros indianos), o macaco de braços longos (Cheung Bei Yuan), deram como definitiva à criação de um novo conceito de estilo ou arte marcial chamado pelo mesmo MahaSiddhi Tantra Lama Ah Tah Toh como RUGIDO DO LEÃO ou SENGE NGWA em idioma Tibetano ou SE JI HOU em Chinês-cantonês. Aqui realmente nasce a história de nossa atual arte marcial e nosso Fundador SI-HO Lama Ah Tah Toh.
  O estilo do Rugido do Leão imitou a fuga ágil, os golpes em pontos vitais do Grou Branco e os balanços poderosos do macaco, golpes longos, saltos, pontapés, rolamentos e técnicas de pegada. O sistema em seu início estava formado por três Técnicas: 1 - A mão do grou voador (Fei Hok Sau), 2 - A mão do Buda Maitreya (Mi Le Fat Sau), 3 - A mão que captura (To Lou Sau), e quatro métodos: Lo-Han, Weito, Tamo e Pak Hok; a arte incluía oito deslocamentos, oito capturas, oito chutes e oito golpes, meditação tântrica (Sadhana), controle respiratório (Hei Gong), força interna (Nei Gong), desenvolvimento de chakras, uso de mandalas, tumo, bindhu e cerimônias.
  A cena da briga do grou e do macaco que Ah Tah Toh presenciou fez com que ele visse uma perspectiva interna, esta colisão entre dois animais ou forças representa a energia inata ou do instinto e a da emoção como níveis de consciência para gerar a ação psíquica criando atributos à mente, ampliando e temperando, transmutando a energia como uma alquimia do corpo, mente e essência do praticante.
  Ah Tah Toh dentro do monastério Lu Yim chegou até a categoria de Lama presidente e ensinou sua nova proposta do Rugido do Leão para seus irmãos espirituais (SANGHA) da seita Kagyu, como também aos guerreiros Dub-Dub que a receberam com um grande prazer.
Monastério Kagyu  O Budismo Tibetano tinha e ainda tem diferentes ramos ou tendências, como a seita Kagyu que era conhecida como a seita dos gorros pretos que era uma seita de força; a seita Nyigmapa era conhecida como a seita dos gorros vermelhos ou da autoridade; a seita Sakya era conhecida como seita dos gorros brancos ou da paz; a seita Gelugpa era conhecida como seita dos gorros amarelos ou da virtude perfeita, seita dos Dalai Lamas, e Panchen Lamas a que Ah Tah Toh finalmente pertenceu e compartilhou no Monastério de Potala.
  Estas quatro seitas e o os guerreiros Dub-Dub estavam incluídos ao sistema dos 5 dragões do Tibet (Da Wei, Da Yuan, Da Jue, Dai Zhi, Dai Hi). O dragão de neve preservava a tradição espiritual; o dragão vermelho eram os guerreiros, exército, mestres de armas e defesa; o dragão verde representava os negociadores, mestres, acadêmicos, estudantes de astrologia, numerologia e magia. O dragão azul eram os médicos, acupunturistas, os da arte de respirar e herbolístas; no dragão negro representava os que dominavam a arte de roubar e assassinar.
  Dizia-se que Ah Tah Toh poderia lutar a ponto de matar um tigre branco do Tibet, lutar contra cem homens sem receber um golpe, teria a habilidade de meditar ao lado de uma árvore e camuflar-se energeticamente com o tronco e que sua aura era brilhante e o magnetismo que irradiava era surpreendente.
  Ah Tah Toh dividiu os monges em diferentes especialidades marciais. Este ensino continuou de geração em geração até chegar a um gênio de nome Lama To Lo Kat Tam que logo conseguiu aprender tudo sobre o que até então era conhecido como Rugido do Leão. To Lo Kat Tam desenvolveu este estilo até o máximo. Passando-se sete gerações, o estilo chegou até um venerável Lama chamado Kai Lam Buda que herdou a responsabilidade do estilo e seguiu aperfeiçoando-o, até esta época o estilo não tinha deixado o Tibet e sempre se desenvolveu no monastério. Mais tarde, foi transmitida a responsabilidade ao Lama Jikbolokloton (Ng Mui) que considerou que suas condições eram suficientes para codificar e estender o estilo por toda a China. Assim escolheu seis alunos (crianças), Lama Tin Lung, Lama Ti Lung, Lama Sham Lung, Lama Sing Lung e Lama Kon Lung.
  Nesta época, Dinastina Ching (1644-1912), o Imperador chinês não sentia confiança nos mestres de arte de defesa do centro da China, por isso, exigiu aos Monges-mestres Tibetanos que ensinassem à família imperial e à nobreza Manchu, dando-lhes o título de Mestres Nacionais; eram dez mestres nacionais e dois destes eram os alunos de Jikbolokloton.
  O Lama Sing Lung foi o décimo primeiro herdeiro da geração do sistema do Rugido do Leão, o qual foi responsabilizado de herdar o estilo pela sua capacidade não somente espiritual, mas também marcial, por ser capaz de entender, captar, desenvolver e demonstrar todo o estilo. Em 1865, Sing Lung foi enviado a um monastério pequeno na província de Guangdong conhecido como o monastério da Nuvem Verde “Hing Wang”, também chamada de o Monastério da Nuvem Alegre ou Santificada, na montanha de Ting Hu, no lago do distrito de Chao Ching, no tempo do domínio do pirata Chang Pao Chai.
  Sing Lung estava mais interessado nas artes marciais e no estudo do Budismo do que na própria política, e rapidamente fez amizade com os monges chineses. Sing Lung ensinou ou compartilhou muito pouco sobre o sistema do Rugido do Leão que os chineses chamavam de LAMA PAI. Depois da morte do monge presidente do templo, Sing Lung tornou-se Abade, ou cabeça do templo, posteriormente em sua velhice recebeu uns alunos-filhos. Entre os primeiros a serem aceitos, estavam Chan Yang, Chou Heung Yuen, e Chu Chi Yu. Chan Yang e Chou Heung Yuen morreram relativamente jovem e aparentemente não tiveram algum estudante com um valor notável ou desenvolvido. Chu Chi Yu aceitou só alguns discípulos; compartilhou mais seu conhecimento com um aluno chamado Wong Lam Hoi, entre os outros alunos estavam: Chu Cheung, Lei Seung-dong, e Chiu Dihk. Estes alunos guardaram o que eles tinham aprendido muito estreitamente e só aceitaram mais tarde alguns poucos alunos.
  Os últimos dois discípulos do Lama Sing Lung foram Wong Yan Lam e anos depois Wong Lam Hoi. Wong Yan Lam criou-se no povo abaixo do monastério da Nuvem Verde e era filho de um mestre de Kung Fu do estilo Hung Gar chamado Wong Ping que para aquele tempo já era uma lenda local, também conhecido como “o pé de bronze”, e estava aficionado em demonstrar seu Kung Fu ao público, devido a isto ele chamou a atenção do Lama Sing Lung. Um dia Sing Lung desceu da montanha e teve a oportunidade de observar o Kung Fu de Wong Ping, e se impressionou pela habilidade de Wong e tentou-lhe falar que as formas chinesas eram muito boas, mas elas tinham algumas limitações, então Wong o desafiou e sem pensar muito atacou com alguns punhos e Sing Lung surpreso o evitou e o contra-atacou em pontos vitais do seu braço, Wong lançou com a perna uma varredura poderosa, mas o monge tibetano usou uma técnica famosa conhecida como GAM GONG "HONG LUHNG", saltando e pousando na perna de Wong Ping quebrando seu joelho. Quando a limitação ou engano foram corrigidos por final, Sing Lung ofereceu curar a perna de Wong Ping usando umas técnicas médicas tibetanas, e depois de insistir, Wong aceitou e eles então se tornaram amigos. Wong Ping se impressionou com o acontecido e pediu ao velho monge que o ensinasse, mas Sing Lung lhe falou que para isso ele deveria se tornar monge, as condições e responsabilidades econômicas não permitiram Wong deixar seus compromissos, de tal modo, concedeu seu filho Wong Yan Lam com idade de aproximadamente 12 anos a renunciar e ir ao monastério. A data exata ainda é incerta, mas era aproximadamente no ano de 1883.Monastério da Nuvem Verde
  Wong Yan Lam estudou durante vários anos e conquistou uma habilidade considerada baixa em relação ao Lama Sing Lung. Além do Lama Pai, aprendeu também em Lo-Han Myuhn (a divisão de Boddhisattva) e Gam Gong Myuhn (a divisão do Diamante) os métodos internos e as técnicas médicas Tibetanas. Mais tarde, Sing Lung também transmitiu o sistema a Wong Lam Hoi, aperfeiçoando os ensinamentos que este mestre tinha recebido de Chu Chi Yu, no entanto, deve-se lembrar que na China tradicional cada estudante era ensinado sempre individualmente por seu mestre, baseado em seu tipo de corpo e habilidades. Dez anos depois que os dois alunos chegaram ao monastério da Nuvem Verde, seu mestre Lama Sing Lung deixou-lhes a responsabilidade de estender o Lama Pai, pouco tempo depois disto o Lama Sing Lung morreu em um grande legado marcial-espiritual.
  Após a morte de Sing Lung, Wong Yan Lam voltou para casa para mostrar as habilidades que tinha aprendido ao seu pai, pouco tempo depois seu pai morreu e Wong viajou ao norte para a China central e trabalhou durante muitos anos como escolta armada em Shan na província de Xi. Levando a vida de um espadachin viajante e devido aos numerosos fatos do gênero atribuídos a ele durante sua vida, Wong Yan Lam ganhou o apelido de "Haap" (Cavaleiro ou Herói). Wong voltou a Kwang Tung onde construiu um Ta Lei Tai (plataforma ou ringue de luta sem isolamento) e anunciou que aceitaria qualquer desafiador para demonstrar a efetividade do Lama Pai. Lá ele lutou contra mais de 150 artistas marciais e eles nunca o derrotaram, sendo considerado o melhor lutador na China do Sul. Posteriormente foi escolhido como Kwang Tung Zap Fu, o número um dos dez tigres de Kwang Tung que eram o ápice dos dez homens melhores em Kung Fu da China.
  A vitória de Wong Yan Lam tomou um impacto imediato nas escolas de diferentes mestres. Os artistas marciais de todos os sistemas tentaram aprender os segredos do sistema do Rugido do Leão ou Lama Pai e muitos procuraram Wong Yan Lam e Wong Lam Hoi e inclusive ao Mestre Chu Chi Yu para a instrução. O próprio Wong Fei-Hung o famoso mestre do estilo Hung Gar estudou brevemente com Wong Yan Lam. Na realidade, as técnicas de braço longo encontradas na forma (Kuen) Tigre e Grou (Fu Hok Seung Yihng) e as Cinco técnicas do punho dos cinco elementos encontrados na forma Sahp Yihng Kyuhn do Hung Gar é um resultado direto dos ensinos do estilo Lama Pai.
  Wong Yan Lam transmitiu o conhecimento e responsabilidade para Wong Hon Wing e este para Ng Yi Ming (o Harry Lee) até chegar a Chin Da Wei, Ku Chi Wei, entre outros. Wong Yan Lam também ensinou a Choi Yi Kung e este ensinou a Chan Kwand, até chegar a Lo Wai Keong.
  Por outro lado o Mestre Wong Lam Hoi aceitou muitos alunos durante seus anos em Guangdong, sendo: Ng Siu Chung, Ng Siu Chang, Ng Shi Kai, Ng Keng-Wen, Lei Shing-Kon, Dong Di-Wen, Nhg Gam-Tin, Cheng Tit-Wu, Leung Chi-Hoi, O Chiu-Kit, Chung Chan-Yung e Dang Ho. Porém, o aluno mais poderoso era o seu estudante Ng Siu Chung, que era um lutador extremamente experiente que derrotou Wong Siu-Jou, o membro principal do grupo dos cinco tigres do norte. Ng Siu Chung com permissão dos seus Mestres Wong Lam Hoi e Chu Chi Yu determina a fundação do estilo Lama Pai, dando-lhe o nome chinês-cantonês como Estilo do Grou Branco (PAK HOK PAI).
  Os Mestres Wong Lam Hoi e Chu Chi Yu alunos diretos do Lama Sing Lung foram os que transmitiram a Ng Siu Chung o ensino secreto e lhe entregaram o Buda de ouro, estatueta ou selo de autenticidade que credita a hierarquia de herdar a responsabilidade do conhecimento original dos ancestrais e a continuação da linhagem de Sing lung e o Rugido do Leão.
  Com o aumento rápido no tamanho do sistema, inevitavelmente foi levado a algumas divisões. O sistema também sofreu porque era um método estrangeiro. O período da República era um tempo de nacionalismo extremo e os poucos instrutores quiseram exigir, sendo que o ensino era um sistema estrangeiro, principalmente porque foi praticado pela guarda Manchu Real Ching (Qing).
  Por isto, o primeiro aluno de Wong Yan Lam, chamado Wong Hon Wing, adotou o nome HOP GAR (Estilo da Família de Cavaleiro) baseado no apelido de seu mestre e a recomendação de Dr. Sun Yat-Set. De mesmo modo fez Choi Yi Kung, porém, a maioria dos estudantes de Wong Lam Hoi não aceitaram este nome novo. Eles recusaram a dar mais crédito para seu Si-Baahk (tio maior) que a seu próprio mestre. Em resposta, Wong Lam Hoi e Ng Siu Chung estabeleceram o Estilo do Grou Branco (Pak Hok Pai).
  Ng Siu Chung procurou fazer o sistema mais acessível ao público geral. O estilo do Grou Branco tentou regularizar a prática, os fundamentos e unificar os esquemas (Kuen) ou formas para fazê-lo mais lógico e sistemático. Os esforços de Ng Siu Chung foram recompensados depressa. Ele ensinou a muitos estudantes e fez o Estilo do Grou Branco (Pak Hok Pai) o mais famoso das artes marciais Tibetanas. Em 1954 o estilo do Grou Branco ganha popularidade quando um combate público, a mãos limpas, entre Chan Hak Fu, um dos alunos de Ng Siu Chung, contra Ng Gung-Yee, um dos melhores mestres de Tai Chi do estilo Wu. Outros alunos famosos de Ng Siu Chung eram Luk Chi Fu, Kwong Poon Fu, Tang Chak Ming, Ng Yin Kam, Au Wai Ning, Leona Chin Ang e Kwan Tak Him.
  O Mestre Ng Siu Chung morre no ano de 1967 sem deixar um herdeiro líder do estilo, no momento sua esposa (Se Tai Po) é a que tem em suas mãos a estatueta do Buda de Ouro, credencial de autenticidade da transmissão do conhecimento da cadeia discipular, anteriormente explicado. Posteriormente, em seguida da morte de Ng Siu Chung, o estilo se dividiu em várias filiais e os restos se unificaram criando a Federação do Grou Branco em Hong Kong (Pak Hok Athletic Federetion Limited); esta tentou regularizar o ensino do estilo, mas cada aluno tinha começado já a desenvolver os próprios métodos. Alguns alunos estavam satisfeitos permanecendo dentro da federação de Hong Kong, enquanto outros, como o Mestre Kong Poon Fu estabeleceu a sua própria organização no Canadá a seu próprio estilo e modo. Como também o Mestre Chan Hak Fu que decidiu estabelecer a sua própria organização chamada Federação do Grou Branco Internacional na Austrália em 1972 e que no momento reside na ilha de Macau e com filial em Nova Iorque. O Mestre Mok Cheng Wing criou sua organização e método e no momento tem sua escola em Singapura.
  As coisas se tornaram mais complicadas quando em 1977 um aluno de Chan Hak Fu, chamado Ngai Yoh Ton e outros membros da Federação Atlética de Hong Kong, decidiram mudar os esquemas ou formas (Kuen), os fazendo mais fáceis e removendo movimentos repetidos. O que é verdade é que os mestres-discípulos de Ng Siu Chung, não chegaram a um acordo para a disciplina de um padrão de estudos com a metodologia e padronização do estilo, tendo uma credibilidade duvidosa na autenticidade, base e fundamento que sustente com demonstração as práticas das formas (Kuen) e as leis de treinamentos que governam o Estilo Tradicional Pak Hok Pai com herança antiga do Lama Pai e o Rugido do Leão.
  Por exemplo, Ng Yin Kam e Au Wai Nim (falecido) ensinaram um pouco para vários interessados, mas sem dedicar-se em pleno ao ensino da arte. Kwan Tak Him (falecido) não propagou o estilo. Tang Chak Ming ensina ao Sifu Argimiro Nuñez (Arun) que propaga o estilo na América do Sul - Venezuela e para o Sifu Cheung Kwok Wah que dirige atualmente o Cheung Kwok Wah International Martial Art Association com Sede em Hong Kong e com filiais em Hong Kong, China, Filipinas, Malásia, Indonésia, Itália, Venezuela e que é o único na atualidade que sabe e domina mais os assuntos e esquemas do Estilo Tradicional Pak Hok de maneira teórica e prática. Realmente Sifu Cheung Kwok Wah e seus aliados são a esperança do futuro desta arte marcial bonita e poderosa.


PAK HOK GIMNASIO LO-HAN CHEUNG KWOK WAH LATINO AMERICA
PAK HOK CHEUNG KWOK WAH INTERNATIONAL MARTIAL ART ASSOCIATION
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